
beijos doces
feche os olhos
e sinta o calor da minha respiração
bem pertinho dos seus ouvidos,
escute os meus suspiros
quase que silenciosos,
arrupie-se ao calor dos beijinhos
à flor da pele,
no canto esquerdo dos seus lábios,
roçando-os de leve
e beijando com ternura
o outro canto
de sua boca.
Nossos lábios,
frente à frente
de olhos fechados
sentimos um tremer de pernas,
um frio saindo da barriga
e correndo pelas ecostas acima,
nossos lábios se acariciam
e se arrupiam cada centímetro redondo
de nós dois,
todos os cabelos e pêlos espalhados
por nossos corpos ficam estarrecidos,
de pé, ...como se acabássemos de levar
um chóque de tantos desejos e anseios.
num tóque bem sutil e suave
Nossos lábios se abrem
e numa fresta,
meia que casual, mais que proposital,
como se nossos lábios implorassem reciprocamente
pelo beijo que tanto queremos roubar
um do outro, a boca já cheia de água
e uma sede enorme alaga a súplica final,
fatal pros beija-flores que se amam
e ficam pairando no ar infinito
espêlho no jardim encantado
que são nossas vidas.
Escuta-se um beijo estalado
circulando nossos corpos,
invadindo nossos póros:
beija-me, suplicamo-nos impiedosamente
no mesmo espaço de tempo
interrompido num longo décimo de segundos:
somos um na nossa eternidade.
Sérgio,beija-flor-poeta
Mário Quintana