sábado, 4 de julho de 2009

Alucinação poética




quando eu escrevo,
perco os sentidos
sobre mim
e escorregam entre dedos
as linhas de Serafim
a se encherem de versos,
uns geniais, outros prestos,
uns de amores, outros protestos
calando a voz da razão
pela exuberancia do vulcão
que as sílabas, confesso,
até me atiram o coração,
como se fosse o álvaro
na espera da lança certeira,
que virá, talvez mais tarde
ou mesmo mais cedo
do que se pensara
e a rosa despetalada
ainda sustenta em si
a meiguice da ternura
contida nos lábios
da flor de mandacarú.
Eu tivera medo
de me espetalar
no néctar da meiga flor
que teus olhos orvalharam
em dias de lua,
em noites de sol.
E nao dormira,
e não acordara.
Fosse tudo vão, ...
e que haja sido
pelo sublime do teu amor.

Sérgio, beija-flor-poeta

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Versos furtados



A arte das palavras

e a expressão vocal dos suspiros delas

me fazem delirar

e viajar entre gotas de orvalhos

da imaginação tão terna

e cheia de um se deleitar

e deglutir a vida,

fosse ela uma rosa,

cujo botão em toda primavera se despetala

e se afoga por amor em verão alto

e se recolhe ao chão de um outono

carente e melancólico

de uma paixão exuberante.

Então

a neve do pensamento

guarda carinhosamente a semente

do botão ainda em vida,

preparando-a

para uma nova primavera:

a do amor.



Sérgio, o amigo e beija-flor-poeta

O jogo de letrinhas





eu mastigava sílabas,
balbudiava letrinhas,
resmungava palavras,
umas parecidas com " a ",
aquela vogal tão meiga
e tão feminina
que começa o alfabeto,
outras até se assemelham
ao " m " de Maria,
a outra vogal é sanduíche
entre o " i " e o " u ",
a última letrinha,
da qual me lembro muito,
trata-se de uma consoante,
pois o grupo das vogais
se fechou, mas, o que seriam
das vogais sem as consoantes ?
Pensei no " r - zinho ",
assim todo meio tímido
e cheio de um dobrado forte
na língua, movimentando-a
suavemente, como se a boca
fosse um palco iluminado
e ela: " r ", a bailarina
se unindo ao " amor ".

Palavrinha danada de linda,
ainda mais murmurada
baixinho ao pé do ouvido
da pessoa mais que amada.

Amor, que delícia a tua existência !

Sérgio, beija-flor-poeta

sábado, 20 de junho de 2009

o disfarce




velas acesas ao meio dia
indicando eclípse lunar
dentro da minha alma
tentando ocultar o óbvio
que é o amor escondido
entre veias e batidas
aceleradas na estampa
da minha face em chamas
que eu feito louco
procuro apagar
nada mais consigo
a não ser o me queimar
ainda mais e mais
os dedos aflitos
e sedentos
em descobrir teus segredos
à flor da pele.
Essa noite sim,
nem que seja
em preto e branco
das pétalas caídas
no teu seio
de mulher.

Meu Deus do céu,
vem e me desata
o nó na garganta
que essa deusa santa
usa pra me apertar
ainda mais que diga não,
mais sufoca o meu paladar
e até sinto o estômago
se fechando pra vida !

Que coisa é essa?
Não !
Em gritos de desespero,
não quero mais nada,
se os lábios dela
deixam os meus
se ressecarem !

Que coisa !


Sérgio, beija-flor-poeta

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Riso maroto




Chegastes assim meio matreiro,
hábito do querer tudo e nada,
íris dos arcos, voz do seresteiro,
cantos, amor, paixão enluarada
onde a banda o fez mais inteiro:

Beco sem saída, na madrugada
um acorde na voz do gondoleiro
atravessando a tempestade da
roda-viva de oito cordas,violeiro
que se entrega ao seio, amada,
uma nota musical, amor-arqueiro
entre a cruz e lâmina da espada

devaneios do amor em carnaval
esperando ser sapateado: riso

hoje, ontem e sempre - marisco
o bailar das dissonâncias de ti,
linha por linha, ondas, precipício
lá, dó, ré, mi, fá sol: nosso vício
acalantos quando eu não sorrir
não que seja o último suspiro
da viola acariciada, meu amigo
antes tarde do que nunca: feliz.

sergio, beija-flor-poeta

poema ao aniversário do amigo Chico Buarque

Pimenta do agreste




o sol trespassa a alma
como se eu fosse de vidro
e meio que atrevido
lança seus raios
a cortar o peito
meu maior defeito
é ter me apaixonado
pela amazonas
índia carioca
nascida em minas
germinada no maranhão
paulista da gema
bahiana da clara
casca de jatobá
com gosto de manga
tipo banana com ingá
e na hora de matar
a lança alcança
as perpendiculares
da tua silhueta
com o sabor de malagueta
é tão gostoso te amar.

sergio, beija-flor-poeta

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Amigos e amigas





a felicidade de vos ter
e o prazer de vos receber
me enchem de glória
nesse lindo amanhecer

é tal começo de vitória
que tal mero perecer
nada mais é do que
o afagar as saudades

conquistando amizades
e vivendo por querer
transbordar felicidades

num simples paladar
néctas do bem-querer
pétalas do belo amar.

poesia do dia,
feita com alegria
polindo os olhos
lubrificando o coração
amando a vida
que nunca seja esquecida
a amizade
sinônimo de amor
que faz bem ao coração
e se um instante
me perder na desilusão
saberemos enfim dizer
que amamos
quase que num saber
que o muro é duro
e o rosto é frágil
então me veio na mente
desse coração incoerente
que somente quem ama
se espinha nas pálpebras
de rosa, de orquídeas,
de violetas, de jasmins.
e se um dia
não te quis pra mim
é que fui tolo
por sofrer
por outro alguem
e quando a cegueira
desse amor se passar
hei de por ti me cegar
e viver um novo amor:
" que seja eterno,
enquanto dure. "

Sérgio, beija-flor-poeta