domingo, 18 de julho de 2010

a maçã do desamor


Eva,
quantas pétalas nuas
estraçalham as vidraças
do meu ser beija-flor,
melhor bater asas ao vão
do que morder aos bicos
as estrelas noturnas
sem a mínima esperança
de se estrepar no mel
do néctar solar:
é meia noite e meia,
aviões tropeçam em mim,
oh rosa dos ventos,
que minhas penas do amor
encontrem abrigo
entre tuas pétalas sangrentas
de saudades e anseios
pelos beijos meus:
pirata dos sete-mares.

Sérgio, beija-flor-poeta

terça-feira, 13 de julho de 2010


Que nem o céu e o sol

as luzes: lindos olhos teus

se amarram com as retinas,
as desse beija-flor de Zeus
quando tu formosa alucinas

as noites do amor luminosas

são as íris dos arcos-menina
flecha-veneno, bruxa piedosa
sugando-me, teu mel alucina

a virgindade da amazonas-flor

cujas pétalas-régias pepitam
do arco da flecha a sétima cor

são seus desejos que exitam:

vida brotando aos póros amor,
que me prendas no laço de fita.



Sérgio, beija-flor-poeta

domingo, 11 de julho de 2010


Chapéu nêgro

estava esperando:
você.
corri entre avenidas
e ruas de Veneza.
eu era tristeza
e agora senti
os lábios da saudade
acariciando o peito
à flor da pele.

Esqueça que eu existo,
todavia: nunca que te amo.

Sérgio, beija-flor-poeta

Amizades de um Beija-flor





A flor da vida
é dádiva querida
que a semente
do amor presente
nos brota
a cada nova primavera,
cuja espera
não tem preço
e, por mais
que não mereço,
mesmo assim
continua nectando
a magia desse dia
enluarado de pétalas:
as da amizade,
as do amor,
as da paz,
as da felicidade
por saber que existes
e que és tal flores
que se despetalam
para deixar o mundo
mais mundo.

Sérgio, Beija-flor-poeta


Poesia feita para o amigo
Antônio Poeta

sábado, 10 de julho de 2010

pétalas mortas II



Tolo do que crê

nas pétalas caídas

da rosa, outróra botão

e cujo néctar jorra

à marisia atropelando

os surfista de pantera:

Beija-flor-alucinado

pelos espinhos cálidos

de tanta espera pelo Amor

de Adones.

Tolo do Beija-flor

que não acredita na vida

escondida atrás da morte

transparente sequidão

do botão de rosa:

flor amorosa;

pecado santificado

por Zeus, tornando-me Ateu

à Divindade; entregue à salvação

dos abraços seus gemidos de liberdade.


Sérgio, Beija-flor-poeta

domingo, 6 de junho de 2010

Beija-flor desatinado




Esquecestes de mim,
apagastes a chama
da vela se queimando
de amores e carinhos,
de saudades que fazes
em mim, com um beijo,
abrir-se a rosa mais bela
a espalhar suas pétalas
pelos caminhos estreitos
da vida que reservei
pra nós dois.
Beija-flor ama
o orvalho enluarado
lavando a alma
e penetrando o seio
e se afogando
no néctar fluente
de suas artérias,
ó doce primavera,
morrerei eu
se um dia sequer
nao pensar em ti.

Beijos,
eu te amo tanto.

Sérgio, beija-flor-poeta

domingo, 23 de maio de 2010

beija-flores à mil



A melhor coisa
na vida de um poeta
é saber que a musa
lhe torna mais homem
e menos poeta,
isso não é poesia,
isso é parte da felicidade
que teu seio erradia
e as pupílas do amor
se alastram num me devorar
à distância.
Vontade imensa
de acariciar teus lábios
com a ponta aguda
da minha língua
e te beijar suavemente
misturando o teu mel
com o sangue
que percorre os labirintos
do meu coração:
ser pulsante,
amante de ti.

Quero-te,
mesmo que seja
por uma noite apenas,
mesmo que seja
por uma semana apenas,
mesmo que seja
pecado, e se for,
que seja de amores.

Quero sentir o teu corpo
grudadinho de suor
ao meu, feito tatuagem
grafada bem no fundo da alma.

Não precisas ser princesa
para quebrar os encantos poéticos
transformando-me em homem
e me livrando do poeta.

Beijos te fazendo mulher,
anjo fora do paraíso.

Sérgio, beija-flor-poeta