quinta-feira, 28 de maio de 2009

vida alfabética




as reticências
dos meus lábios te vendo,
as vírgulas
do meu olhar assim fervendo,
as interrogações
dos meus caracóis
são notas musicais
tão simples, tão bemóis
grafados na silhueta
do meu amor
cheio de ternura
a te flechar.
Eu, logo eu,
uma amazonas
cuja lança certeira
se faz bico de pena
pra te acertar,
ó dilema
de paixão estonteante.
Ainda que distante
hei de te perfurar
em pleno voo,
minha asa do destino,
esse amor peregrino
encontra em mim
seu abrigo:
vem comigo.
Tu me ensinas a beijar
e eu te ensino a voar.

Sergio, beija-flor-poeta

jeito incerto




batidas diferentes,
assim espontâneamente
a me iludir pela emoção
insuportável do coração
que já já não pulsa mais,
apelas pula pros lados,
dança até um fado
como se estivesse
na marquês de sapucaí.
Quem diria
você aqui,
meu Senhor,
tirando um biscate
emocionado
com os rebates da vida,
que mesmo sofrida,
ainda se acostuma mal
com tanta bondade
e artmanha:
Atençao !
Cuidado !
Meu coração é feito tamborim:
o pobre coitado não bate,
só apanha,
ele não tem jeito,
sufoca o meu peito
e não larga a manha
de chorar que nem cuíca
e muitas vezes palpita
na sola, no salto.

Eita nós !

Como é belo sapatear
nas avenidas da vida !

sergio, beija-flor-poeta

poesia dedicada ao amigo JL Semeador

ilha de bruma




navegar é preciso,
dizia o poeta castro alves
ao ancorar a velas
do amor navegante
descobrindo novas terras
içando novos corações,
novas ilhas
por brumas cobertas
pela lembrança
das palavras mais belas
dos versos
entre teus lábios
murmurados.

Navegantes errantes
somos todos nós
que acreditamos
na maré alta da vida
a nos conduzir
ao destino,
ao porto,
cais da salvação
embaixo dos coqueirais
na ilha de bruma.

sergio, beija-flor-poeta

catástrofe ambiental




" delizamento de beijos "
é o título da primeira página
do jornal do amor.
Contendo coisas incomuns
e anormais sobre uma paixão
desmoronada, a começar
com um roçar de lábios
que se beijam ardentemente
e não se contentam
num simples beijar.
Os beijos descem queixo a baixo
passeiam pela garganta e cáem
sobre o ombro quase despido
a blusa de alcina fina, de sêda
francêsa, não suporta o calor
dos lábios húmidos
eletrizando os seios da amada
já totalmente arrupiada
a ver estrelas e a delirar
murmúrios escandalosos
e toda a cidade se embebece
de um querer mais,
aplaudindo de pé
com água na boca
e querendo mais e mais.
O desatre é perfeito,
é tanto amor
que enlouquece a vida
cotidiana quando
o mar de beijos se aproxima
do umbigo e os pelos felinos
se eretizam e espinham
a ponta da língua.
A mata atlântica
vive algo extraordinário
e os peixes velejam
na maré de beijos
sugando o néctar
de um beija-flor
totalmente perdido
entre teus lábios
de princesa,
de donzela.

Sérgio, beija-flor-poeta

o gigante




nas sombras
dos raios de um sol enluarado
fisgastes meu coração
e semeastes o amor
e eu,
já quase alucinado,
todo embriagado
eu me entreguei
aos teus braços,
ó flor.

teus beijos me alucinam,
nosso amor nos alimenta
eu me sinto uma criança
embalado na esperança,
veredas da fé
que nos sustenta
luz no túnel
minha amáda
eu te faço serenata
espinhos de rosa
fura, fére,
mas, não mata
somente a dor alenta

eu me sinto um gigante,
uma criança nos teus braços,
tu és minha segurança
tu me guias os meus passos

eu me sinto um gigante
e me desfaço em pedaços
vivo sonhando
a todo instante
de me prender
nos teus laços

sergio, beija-flor-poeta

o discurso




eu serei
aquilo que não sou,
eu serei
aquilo que não queres,
eu serei
aquilo que eu quero ser,
eu serei
aquilo que se diz oposto,
eu serei
aquilo que se diz contrário,

Em tempos de escuridão;
serei luz.
Em tempos de tristezas;
serei alegria.
Em tempos de ateismus;
serei a fé.
Em tempos de ódio;
serei o amor.
Em tempos de um nada;
serei o tudo.
Em tempos sem comida;
serei semeador:

de poesias.

sergio, beija-flor-poeta

amar é urgente


socorro !

ando aos delírios

e nem sei a cura

dessa minha loucura !

Socorra-me,

sei que pódes

e se não chegares

a tempo,

morrerei sem os alentos

do teu amares,

ó princesa,

tua beleza

me maltrata

e sangra o coração.

Eu não estou exagerando,

estou me agarrando

de paixão aos sonhos

e desvaneios

de poder segurar

no ramo

a única pétala que resta

da rosa da vida.

Venha querida,

socorra-me !

Sergio, beija-flor-poeta